FALSIDADE, ALIENAÇÃO E INTIMIDAÇÃO: As armas dos marketeiros nas tradições africanas de origem banto.
Vários são os seres humanos que se reprimem, deixam de ser eles mesmos em função do domínio dos outros. Muitos perdem as suas características básicas e acabam se moldando e assumindo uma personalidade baseada nos desejos daqueles que os cercam. Isto, evidentemente, causa grande decepção já que se alienam pelas ações de terceiros, abandonam não apenas os seus sentimentos, suas individualidades, mas, também, as suas atividades profissionais, condutas sócio-religiosas, éticas e morais.
É tamanha a cessão que abdicam de suas identidades, evitam debater suas próprias condutas, enfim, um véu (cortina turva e obscura) os cegam. Não querem compreender que o mais indicado seria se distanciarem dos conceitos e atitudes pré-construídos para aprenderem, acessarem o conhecimento e chegarem à sabedoria. Mais importante que ser e/ou viver manipulados, explorados, usados pêlos outros é ter consciência de que podem desenvolver habilidades e cognição capazes de subsidiarem a conquista dos objetivos e metas estabelecidos.
Não temam em prestar auxílio àqueles que necessitam. Contudo, não se deixem envolver e nem o dirigirem pelo uso de belas palavras, conhecimentos duvidosos, idealismos ou demonstrações infundadas das tradições, construídos pelos ditos “bam-bam-bans” da religiosidade e mítica bantu. Façam com que te ouçam, te compreendam, te respeitem e não permitam que esses “semi-deuses”, “sábios”, falsos sacerdotes, em toda a sua suposta generosidade, determinem os caminhos que lhes foram traçados por Nzambi.
Estudem, leiam, informem-se, debatam, perguntem e não permitam transformá-los em trampolins para assegurarem o crescimento conceitual destes imorais. Acreditem, com desconfiança, pois os espertalhões sempre fazem questão de exibirem seus bons gestos, suas boas ações, seu bom coração, mas tudo não passa de um processo tático no qual apenas eles são os grandes beneficiados. Tiram-lhe, inescrupulosa e covardemente, tudo que interessam e depois, sem qualquer sentimento ou vergonha, lhes descartam.
Sejam, portanto, generosos, educados, humildes e respeitosos, mas nunca burros ou cegos. Atentem-se para aqueles que se aproximam de você cobertos pelo manto branco de Lemba, mas, sem qualquer constrangimento ou respeito, retiram-no e se mostram como verdadeiramente são: carniceiros, oportunistas como as hienas, traiçoeiros como as serpentes venenosas e covardes como aqueles que roubam de um faminto o alimento que lhe preservaria a vida por mais tempo.
Lutem contra esses espertalhões. Muitos deles buscam respaldo para as suas psicoses onde nunca estiveram, abusando da confiança dos outros para fazerem o que em suas mentes impuras, insanas e marketeiras julgam ser o mais correto procedimento. Neste caso vale aquela máxima de Maquiavel, assim compreendida: “o objetivo justifica os meios”, desde que a pretensão seja alcançada, não importam os métodos utilizados. Ou seja, matar, roubar, apropriar-se indebitamente, pisar e humilhar o seu semelhante, desmoralizar o Outro, desrespeitá-lo, se a meta foi realizada, tudo bem e nada mais importa.
Para que os riscos sejam minimizados é bom manter os olhos abertos. Vigiar e não se entregar à nocividade dos pseudos-sacerdotes. Tentar, ainda que pareça impossível, separar o joio do trigo. A dualidade humana tem faces opostas para todo ser humano, e independe de quaisquer princípios, sejam éticos, morais ou religiosos.
(*) Espedito Azevedo é filósofo, especialista em Administração Legislativa e Gerenciamento de Projetos. Iniciado por Jiboin d’Nzambi é hoje Tata Kisaba do Terreiro Tumbalê Junçara, dirigido por Tata Talamonakô.
