Kwzola dya Nzambi (*)
Como se sabe, a família umbundu não passa do seu contexto vital, ou seja, de pertencer à comunidade africana. Ela é uma família alargada, não limitada somente na constituição de pai, mãe e filhos. A família umbundu abarca duas vertentes: a vertente paterna e a vertente materna. Na paterna duas vertentes e, na materna também duas vertentes; quer isto dizer que se pode ir até aos bisavôs no concerne a constituição da família umbundu. Essa é mais ou menos os limites da família umbundu tradicional.
Vale, ainda, salientar que o bantu, no seu aspecto genérico, é por si aberta como família por todos quanto o rodeiam. A família umbundu é abertura, por exemplo: numa família concreta o processo de matrimônio exige a entrada de novos membros ou elementos da família por meio do casamento, no momento em que uma rapariga deixa os seus pais e vai unir-se a um homem, e, passando assim a pertencer à família do marido e esta a recebe como novo membro porque oferecerá a família novos membros também (os seus filhos). A mulher casada é contada tanto na felicidade como na dor como já pertença da família.
Assim, a família umbundu tem uma célula principal o pai, a mãe e os filhos. As famílias nucleares unidas e integradas entre si, são o fundamento da solidariedade que dá origens às instituições sócio-políticas as quais não são mais que o alargamento do núcleo primário.
Esta, como não se basta a si mesma, precisa se ajustar em grupos mais amplos e organizados. E não forma um grupo autônomo, vive inversa dependente do sistema de parentesco da família alargada e do clã. A família isolada, individualizada, fechada sobre si mesma é autônoma e não existe. Além disso, as condições climáticas, geográficas, e econômicas impedem o tal isolamento.
A unidade básica elementar e irredutível seria, mãe e filho. A união, esposo e esposa, está sujeita a variação. A família umbundu é grupo de comunidade composto pelos membros da família nuclear aparentado por consangüinidade real, patrilinear ou matrilinear que engendra verticalmente e horizontalmente.
A Família: Célula fundamental na sociedade bantu.
A família na cultura bantu é a célula fundamental para o crescimento social, político, econômico e espiritual de toda a comunidade. É a família que concretiza as idéias da comunidade bantu; é ai onde a pessoa aspira a ter uma vida longa e vida em abundância, isto é, ter saúde, meios para o seu bem-estar econômico e social, conseguir manter a harmonia na família e na comunidade, partilhar e participar da vida comunitária, ter boa esposa e ter filhos saudáveis e robustos. É na família onde se começa a educação que terá senão benefícios caso a família seja bem sucedida na sua tarefa educativa.
Outro desafio maior que os povos bantu de hoje partilham com a humanidade inteira é a questão da educação e instrução. Se a maioria dos povos bantu continua a viver no campo, não é menos verdade que é aí onde o problema de educação se põe com mais acuidade, porque se existem ainda alguns valores genuínos destes povos e que reclamam pela sobrevivência esses valores encontram-se no campo: onde podemos ainda constatar que o respeito pela hierarquia das idades é um fato social, a hospitalidade para com os outros transeuntes; a solidariedade mútua entre os membros de uma mesma comunidade; o respeito pelas coisas alheias, a valorização do trabalho honesto, a transmissão do saber prático e dos valores morais etc.
É na família onde se assegura a educação dos filhos, a boa preparação dos nubentes boa ou má para que depois são provoquem separações em situações desagradáveis. A família é, uma gama de valores tão positivos como: as línguas, as artes, e a sua filosofia de vida. Tudo para se obter e conservar a vida e nada contra a vida.
Outra responsabilidade que completa a primeira é a educação dos filhos para serem úteis à comunidade. De fato, é na família que a criança cresce e educada através de vários processos de iniciação. A solidariedade da comunidade não abandona os pais nesta tarefa ingente. As crianças circulam livremente, protegidas, e controladas por todos. Todo o adulto é considerado educador porque tem o dever de enquadrar as crianças nos trabalhos que ele estivesse a fazer e logo eram inseridas nas suas conversas do dia a dia através de longos serões nos Olondango. É um sistema baseado na repetição de experiências já vividas na tradição e legitimadas pelas instituições criadas para o efeito.
