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Variedades: A enxada e a Lança

Nibojí, 16 de agosto de 200815 de agosto de 2012
Retirado do livro A enxada e a lança.
Katulembê
As descobertas arqueologicas de Sanga, Katoto e outros pontos da região do alto Lubala confirmam a épica nacional Luba, que ali põe a origem do estado. contam as tradições que as terras do rio Bushimani, onde havia uma série de pequeninas chefias lubas calangas, veio ter, em certo momento da história, um chefe de nome Kongolo. Submeteu ele várias aldeias isoladas, absorveu pequenos sobados e construiu sua capital em Muibele próximo ao Lago Boia.Mais tarde, proveniente de algum lugar ao leste do Lubala, chegou as vizinhanças de Mubele um grupo de caçadores, comandado por Ilunga Umbili (Mbili). Foi este bem recebido por Kongolo, que lhe deu em casamento duas de suas irmãs, Bulanda e Mabela.

Logo após o matrimonio, porém, os cunhados se inimizaram, por haver Ilunga Umbilí tentado impor a Kongolo uma nova etiqueta de corte e um novo comportamento de rei. A briga fez com que Ilunga Umbilí retornasse a pátria. Mas deixou prenhas Bulanda e Mabela. Da primeira nasceria Kalala Ilunga, o grande guerreiro.

De inicio, Kongolo usou o sobrinho como chefe militar, para ajudá-lo a submeter as gentes que viviam ao sul do reino. Mas depois, tomado de inveja ou de suspeita, tentou assassiná-lo. Kalala Ilunga fugiu para a terra de seu pai, de onde regressaria com um foperte exército, para inflingir derrota a Kongolo. Morto, este se deifica, faz-se o sr das chuvas e assume a forma de grande cobra vermelha, que manifesta-se no arco-íris. Cobra e arco-íris serão o símbolo da realeza entre os Lubas. Ao período de Kongolo dá-se o nome de primeiro império Luba. Com Kalala começa o segundo.

A idéia de força por trás da monarquia Luba era o conceito de bulópue. Bulópue era uma qualidade sagrada, que residia no sangue dos descendentes da Kalala Ilunga e também de Kongolo, e lhes dava o direito de governar. Essa virtude especial transmitia-se pela linhagem masculina, estava restrita aos homens, e quem a possuísse devia ser chefe, ainda que subalterno.

O rei era conseqüentemente, um vidie, um espírito da natureza, um ser sagrado, capaz, pela força de seu bulópue, de proteger o país contra o mal, de favorecer a fertilidade das terras, dos animais e das mulheres, de regular as chuvas e de propriciar o êxito da caça. Tudo dele emanava. Tanto assim que, ao ser investido, prendia um novo fogo, e deste fogo todos os súditos vinham tomar, para acender os de suas próprias casas. Como outros reis sagrados, o soberano Luba não comia nem bebia em público, a fim de não expor sua condição humana.

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