Resumo de algumas pesquisas feitas à respeito de pintura corporal do povo africano.
Mama Nibojí
Pinturas faciais com diferentes padrões e símbolos têm sido parte da tradição de muitas culturas, incluindo nações africanas. A pintura facial, que geralmente é complementada com pintura corporal, é feita de acordo com os rituais tribais e atividades culturais de tribos africanas específicas. Esta tradição também tem diferentes propósitos e significados para cada tribo, como a caça, eventos específicos, rituais e status tribais.
De acordo com as historiadoras Carol Beckwith e Angela Fisher, através de suas pesquisas durante 35 anos e conversas com alguns membros das tribos chegaram à seguinte conclusão:
As comunidades estão mudando seus costumes por causa da civilização que está roubando suas terras com invasões para comércio, construção, etc….Os rios de onde tiravam a terra para fazer a pintura (argila) estão sofrendo com o avanço da civilização. Alguns estão com suas nascente morrendo, tudo por causa da civilização..
Os primeiros africanos copiavam as pinturas das cavernas há 4.000 anos e tentam manter esta tradição para seus povos.
As pinturas são feitas geralmente com plantas batidas até fazer o pó. Usam muito casca de laranja para fazer fragrâncias, se pulverizando.
As tribos africanas usam a pintura corporal com significados particulares a cada evento, e para embelezar-se. A natureza também é muito retratada nesse tipo de pintura corporal. As pinturas africanas são feitas com vegetais, barro, ocre vermelho e amarelo extraídos de rochas vulcânicas, cal branca e seiva de algumas plantas que possuem pigmentos fortes.
Usam também a tabatinga do rio que tem uma cor meio amarelo/vermelho. O preto vem das plantas secas e piladas, o branco do caolin (pemba) , o cinza com a mistura do pó preto com o caolin.
Gostam muito de se pintar de acordo com o pássaro da região (galinha d’angola) . Eles tem adoração por este pássaro e para eles o mais importante é se pintar de acordo com suas cores. Usam muito as pintas da galainha d’angola e colocam, na cabeça a pena mais bonita deste pássaro. Procuram ficar exóticos de acordo com o pássaro e assim atrair mais admiração das mulheres.
Os africanos se sentem felizes se pintando. Pintar o corpo ajuda a manter a cultura de sua tribo, viva. Pintam o corpo todo dia e principalmente em rituais de danças. As pintas são feitas com pedaços de bambu.
Quando se pintam os espíritos se realizam e começam a dançar.
A pintura vermelha era para se proteger do sol e do calor pela manhã e do frio à noite.
Pintura de acordo com algumas tribos.
Efik
Pintura facial e corporal carregam um monte de simbolismo na tribo Efik. Este grupo étnico, que reside principalmente no sudeste da Nigéria, utiliza a pintura facial para demonstrar amor e pureza. Durante os tempos antigos da tribo, a pintura de rostos era uma forma de expressar a própria identidade da tribo. A pintura facial também incluía os padrões para a identificação de famílias e clãs. Em alguns casos, a pintura facial também simboliza a felicidade de dar à luz uma criança. Para as mulheres solteiras, um rosto pintado é o equivalente a um rito de iniciação para entrar formalmente na sociedade das mulheres. Para as famílias, rostos pintados também indicam a sua felicidade por alguma boa notícia que receberam. As dançarinas nativas, chamadas Abang, usam pintura de rosto como forma de expressar a sua beleza, amor e completa feminilidade.
Xhosa
A tribo Xhosa obtém a tinta que usam em seu rosto a partir de uma área chamada Hogsback. Eles chamam este lugar Qabimbola, o que significa barro vermelho no rosto. São vários os propósitos para essas tribos pintarem seus rostos. Alguns o usam como proteção contra a luz solar. As mulheres colocam tinta branca em seus rostos como um sinal de beleza. Durante o rito de iniciação da masculinidade, chamado de Abakwetha, os jovens têm as suas caras pintadas primeiro com lama branca. Após a cerimônia de circuncisão, os seus rostos serão cobertos com lama mostrando sua preparação para as responsabilidades adultas.
Pondo
A tribo Pondo na Pondolândia da região da África do Sul celebra a tradição chamada “umgidi”. Ela se refere à iniciação de um jovem para se tornar adivinho ou sacerdote da tribo. O último dia da iniciação é marcado pela aparição da mulher nua da cintura para cima em seu lar, com o rosto e o tronco pintado com barro branco decorado com folhas idwabe. O padrão de pintura feito em seu tronco e rosto simbolizam a ligação com seus antepassados, os quais, acredita-se ser a razão para sua doença e recuperação. As mulheres dançam para expressar gratidão a seus antepassados por terem restaurado sua saúde.
Karo
As tribos Karo, localizadas no sul do Vale do Omo, na Etiópia, são conhecidas por serem mestres da tradicional pintura facial e corporal. Eles pintam seus rostos e corpos como uma parte valiosa de suas danças em banquetes e cerimônias, como as de namoro. Elas usam pó de giz branco, carvão vegetal, terra amarela, ocra e vermelha para impressionar, criando padrões de pintura que imitam a pluma das aves guiné. Estes padrões são geralmente traçados usando apenas suas mãos e dedos.
Woodabe
A tribo Woodabe, também chamada de tribo Bororo, é um grupo de pastores nômades encontrado no Níger oriental. Ela celebra o festival Gerewol, uma ocasião especial que dá aos homens a oportunidade de conhecer e atrair mulheres em sua tribo. Durante a celebração, acontecem competições em forma de concurso de beleza onde as mulheres serão as julgadoras e os homens os candidatos. Durante suas cerimônias anuais de dança, os homens Woodabe pintam seus rostos de amarelo ou vermelho e seus lábios de preto para aumentar sua beleza e encanto.
As máscaras são as formas mais conhecidas da arte africana. Representa a soma de elementos simbólicos e místicos, usadas em rituais e funerais. Os africanos acreditam no poder da absorção das forças mágicas dos espíritos, obtendo a cura de doentes, entre outras coisas.
As máscaras são criadas a partir do barro, marfim, metais, mas o material mais utilizado é a madeira. São confeccionadas em segredo na selva, para conseguir o estabelecimento da purificação e da ligação com a entidade sagrada.
O povo bantu usa as máscara para ir à guerra e principalmente para reverenciar os ancestrais mortos. As pinturas corporais , geralmente são usadas para danças comuns, cerimônias de casamento ou pelo simples fato de dançar, coisa que o africano gosta muito de fazer.
