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Ritos de Angola
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Herbanário: A

Nibojí, 29 de dezembro de 20086 de abril de 2012

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Abiu piloso

acá ferro, curiola, guapeba,

grão de galo

Sem uso na liturgia, tem folhas curativas; a parte inferior desta colocadas nas feridas, ajudam a superar; se inverter a posição da folhas, a cura será apressada. A casca da árvore cozida tem efeito cicatrizante.
Acácia-jurema
Usada em banhos de limpeza. É também utilizada em defumações. A medicina popular a utiliza em banhos ou compressas sobre úlceras, cancros, fleimão e nas erisipela.

 

Açoita-cavalo,

Ivitinga

Erva de extraordinários efeitos nas obrigações, nos banhos de descarrego e sacudimentos pessoais ou domiciliares. Muito usada na medicina caseira para debelar diarréias ou desinterias, baixar o colesterol e também no reumatismo, feridas, úlceras e hemorragias.

Açucena,

Cebola-Cecém,

Cebola do mato

Sua aplicação nas obrigações é somente do bulbo. Esta cebola somente é usada nos sacudimentos domiciliares. A medicina caseira utiliza as folhas como emoliente e o bulbo nas afecções pulmonares, bronquites, coqueluche e asma. Em alta dosgem é toxica.
Agapanto
 É aplicado como ornamento em gonzemo(quarto do santo), e banhos dos filhos de minkisi. Não possui uso na medicina popular.
Agrião
Excelente alimento. Sem uso ritualístico. Tem um enorme prestígio no tratamento das doenças respiratórias. Usado como xarope põe fim às tosses e bronquites, é expectorante de ação ligeira.

Agrião-do-Pará – agrião-do-brasil, agriãozinho, botão-de-ouro, jambú,

jambuassú

É usado nas obrigações de cabeça e nos kijauá, para purificação de filhos; como nguzu nos assentamentos das deusas. A medicina caseira usa-o para combater tosses e corrigir escorbuto (carência de vitamina C), afecção bucal e da garganta, cálculos da bexiga, coqueluche, bronquite, fígado, tuberculose. Parte utilizada: folhas e capítulos. Contra-indicações/cuidados: o extrato aquoso induz contrações abdominais e o extrato hexânico provoca convulsões tônico-crônicas e morte. Modo de usar: infusão, decocção, sumo, masticatório.
 

Aipo,

Salsão

Usa-se em descarregos. É importante dizer que há milênios essa planta sempre foi destinada aos mortos. Plutarco afirmava que era planta fúnebre, sendo destinada, na Grécia, a adornar os monumentos dos que morriam nas guerras. Esse vegetal tornava os cavalos fogosos, e evitava que eles adoecessem. No popular é usado como condimento.

Alamanda, Camendara,

Dedal de dama

Planta utilizada nos banhos de Nkisi. Na medicina é aplicada em forma de banho no combate à furúnculos, sarnas.
Alcaparreira, Galeata
Entra nas mais variadas obrigações do ritual, sendo utilizadas para isso folhas e cascas. Também é muito prestigiada nos banhos de preparação dos filhos, para obrigação de cabeça e nos banhos de limpeza. As cascas e raízes popularmente vêm sendo usadas como diuréticos. Seus frutos são comestíveis e deles é preparada uma geléia eficaz contra picadas de cobras e insetos venenosos.
Alecrim de Caboclo
Erva de Minkisi. Carminativa, diurética, estimulante, estomáquica e contra gases.
Alecrim do Campo

Seu uso se restringe a banhos de limpeza. Em seu uso medicinal resolve o reumatismo, aplicado em banhos e um forte terapêutico na prevenção da cárie dental.

Alecrim de Tabuleiro: Erva empregada nas obrigações, no kijauá e é um maravilhoso afugentador de larvas astrais, razão pela qual deve-se usá-lo nos defumadores das casas de culto.

Alevante,

Levante

Usada em todas as obrigações de cabeça, no kijauá e nos banhos de limpeza de filhos de santo.

Usa-se o chá de alevante para tratamento dos intestinos, disenterias e acalma os nervos. Auxiliar do fígado e previne afecções diversas, bem como hemorragia nasal e sangramento das gengivas. Ótimo no tratamento de cólicas de crianças e elimina o colesterol. O seu chá é ótimo para quem quer deixar de beber ou fumar.

Alface
É empregada em algumas obrigações e em sacudimentos. O povo a indica para os casos de insônia, usando as folhas ou o pendão floral. Além de chamar o sono, pacifica os nervos. É um produto rico em Vitaminas A e C, Cálcio e Fósforo.
Alfavaca de cobra
Participa de todas as obrigações de cabeça  e no kijauá. Também é usada com o filho dormindo e com a cabeça coberta. Retira-se esse emplasto antes das doze horas do dia seguinte. Depois dá-se um banho de purificação, com as ervas dos Minkisi. No popular usa-se o gargarejo para por fim ao mau hálito, devendo a aplicação ser diária.
Alfavaca-roxa

Empregada em todas as obrigações de cabeça e nos banhos dos filhos de Nkisi. Muito usada em banhos de limpeza ou descarrego. Chá de folhas e flores de alfavaca roxa  relaxa e alivia dores de cabeça de origem nervosa. Se tomado depois das refeições, auxilia o trabalho do sistema digestivo. Gargarejos com o chá morno ajudam a acabar com aftas. Este chá atua contra tosses, gripes, resfriados e crises de bronquites.

Alfazema
Empregada em todas as obrigações de cabeça. É aplicada nas defumações de limpeza, usada também na magia amorosa em forma de perfume. A medicina popular dita grandes elogios a esta erva, pois ela é excelente excitante e antiespasmódica. É usada, também, como reguladora da menstruação. Somente é aplicada como chá.
Alfazema-de-caboclo
Conhecida popularmente como jureminha, a Alfazema é usada em todas as obrigações de cabeça, nos banhos de limpeza e nas defumações pessoais ou de ambientes. A medicina caseira usa os pendões florais, contra as tosses e bronquites, aplicando o chá.

Altéia,

Malvarisco

Muito empregada nos banhos de descarrego e na purificação das pedras dos minkisi. As flores empregam-se nas enfermidades das vias respiratórias. São boas para tosse, em especial para as crianças e idosos. Em forma de loção, a alteia é recomendada para acalmar dores, erupções cutâneas. Em clisteres é usada paras as inflamações intestinais e prisão de ventre. Abscessos e Furúnculos – aplica-se um pedaço da raiz fresca sobre o local, renovando a cada hora. Inflamações cutâneas – Ferver algumas folhas em pouca água. Deixa amornar, coloca as folhas entre gaze e aplica no local. Tosse seca e nervosa – Infusão de 1 colher rasa de folhas secas em 1 xícara de água. Adoçar com mel e tomar.
Amendoeira
Seus galhos são usados nos locais em que o homem exerce suas atividades lucrativas. Na medicina caseira, seus frutos são comestíveis, porém em grande quantidade causam diarréia de sangue. Das sementes fabrica-se o óleo de amêndoas, muito usado para fazer sabonetes por ter efeitos emolientes, além de amaciar a pele.

Amendoim

(mandobi)

O amendoim fornece um bom óleo para luz e também para a cozinha. Suas sementes são estimulantes e fortalecem as vistas e a pele, além de ser em excelente afrodisíaco. Nos rituais, é empregado cozido ou torrado para Nkisi e utilizado em sacudimentos, com excelentes resultados.
Amor agarradinho

Usado nas magias de amor, banhos de purificação e oferenda para Nkisi. É indicado, em forma de chá para as doenças do sangue e gonorréias.

Amor do Campo, amorzinho seco,

trevinho do campo

Usada nos banhos, kijauá e assento do Nkisi. Utilizado, em foma de chá nas diarréias, blenorragias, dores no corpo e leucorréia.

Amoreira -amora

Planta que armazena fluidos negativos e os solta ao entardecer. A medicina popular indica o cozimento das folhas como adstringente e para debelar inflamações da boca e da garganta. Usa-se as folhas em chá para reposição hormonal na menopausa.

Angélica
Tem emprego ritualístico muito reduzido. Sua flor espanta influências malignas e neutraliza a emissão de ondas negativas. É aplicado na magia do amor, propiciando ligações amorosas. A flor também é usada como ornamento e dá-se de presente na vibração do que quer. Não possui uso na medicina popular.

Angelicó,

Mil-homens, papo de peru

 

Tem grande aplicação na magia de amor, em banhos de mistura com manacá (folhas e flores), para propiciar ligações amorosas, aproximando o sexo masculino. Indicado nas afecções cutâneas, amenorréia, ciática, cistite, coração, doenças venéreas, eczema (erupção da pele), epilepsia, febres de malária, flatulência, formigamento (do corpo e braços adormecidos), frieiras, gota, hidropisia, neurastenia, testículos inflamados, picada de inseto, suspensões de regras. Uso: raízes e caule. O extrato das raízes inibe o crescimento de feridas e inflamações da pele;

– em infusão ou decôcto: 2,5%; 50 a 200ml/dia (internamente); 5% (externamente);

– pó: 1 a 5g/dia;

– vinho, xarope e elixir: 20 a 100ml/dia;

– extrato alcoólico de pedaços do caule contusos e macerados em álcool: aplicação local em mordida de serpentes;

– tintura: 5 a 25ml/dia;

– compressas: ferver uma colher de chá do caule em um litro de água por 15 minutos. Coar, deixar esfriar e aplicar sobre a região afetada: feridas e eczemas (erupções da pele), reumatismo.

Angelim amargoso,

Morcegueira

Muito usado em marcenaria, por tratar-se de madeira de lei. Nos rituais, suas folhas e flores são utilizadas em banhos, e as cascas são utilizadas em banhos mais fortes com a finalidade de destruir os fluidos negativos que possa haver, realizando um excelente descarrego. A medicina caseira indica o pó de suas sementes contra vermes. Mas cuidado! Deve ser usada em doses pequenas.
Angico da folha miúda, Cambuí
Só possui aplicação na medicina caseira a casca ou os frutos em infusão no vinho tinto ou kisungu (cachaça), agindo como estimulador do apetite. Os frutos em infusão, também fornecem um licor saboroso, do mesmo modo combate a dispepsia.

Aperta-ruão,

Jaborandi-do-mato,

Jamborandi-falso

Utilizado nas obrigações de cabeça. Tem grande prestígio na medicina popular como adstringente. As senhoras a empregam em banhos semicúpios, de assento, e em lavagens vaginais para dar fim a leucorréia.
Araçá
As folhas são aplicadas em quaisquer obrigações de cabeça. Usada de igual sorte nos banhos de purificação. O povo indica esta espécie como um energético adstringente. Cura desarranjos intestinais e põe fim às cólicas. Usam-se folhas e cascas em cozimento.
Aracá-da-praia
É empregada nas obrigações de cabeça, no kijauá e nos banhos de purificação dos filhos dos minkisi a que pertence. No uso popular cura hemorragias, usando-se o cozimento. Do mesmo modo também é utilizado para fazer lavagens genitais.

Arapoca Branca,

Rapútia Branca

As folhas são empregadas nas obrigações de cabeça e banhos. Em alguns candomblés se usa em sacudimentos pessoais. As cascas desta árvore servem para matar peixes. O povo usa a arapoca em folhas como excitante e contra febres (antitérmico).
Araticum-de-areia – Malolô
Liturgicamente, os bantus a usam nos banhos de descarrego, sem mistura de outra erva. A medicina caseira indica a polpa dos frutos para resolver tumores e o cozimento das folhas no tratamento do reumatismo.

Arnica,

Erva lanceta

Emprega-se em qualquer obrigação de cabeça, nos banhos de purificação dos filhos de Nkisi. De igual modo tem uso certo nos banhos de limpeza dos novatos. É apontada como excelente remédio usado interna e externamente, após alguns dias de infusão no kisungo (cachaça). Age como cicatrizante, recompondo o tecido lesado nas escoriações, contusões, tombos, cortes e lesões, para recomposição dos tecidos. Na cura de feridas é de resultado positivo.
Aroeira
É aplicada nas obrigações de cabeça, e nos sacudimentos, nos banhos fortes de descarrego e nas purificações de pedras. Usada como adstringente na medicina caseira, apressa a cura de feridas e úlceras, e resolve casos de inflamações do aparelho genital.
Aroeira brava
É aplicada nos sacudimentos e banhos fortes de descarrego, sem tocar na cabeça. Não é aconselhável usá-la muitas vezes devido a sua forte energia que tende a retirar a energia positiva da pessoa.
Arrebenta cavalo
No uso ritualístico esta erva é empregada em banhos fortes do pescoço para baixo, em hora aberta. É também usado em magias para atrair simpatia. Emprega-se o fruto amassado, exteriormente, para desaparecer os panos brancos da pele. Também usado nas urticárias.
Arruda
Planta aromática usada nos rituais contra maus fluidos e olho-grande. Suas folhas miúdas são aplicadas nos banhos de limpeza ou descarrego, o que é fácil de perceber, pois se o ambiente estiver realmente carregado, a arruda morre (seca). Ela é também usada como amuleto para proteger do mau-olhado. Seu uso caseiro é aplicado contra a verminose e reumatismos, além de seu sumo curar feridas, e seus galhos bem lavados são utilizados para aliviar infecções nos olhos. Cuidados especiais devem ser tomados, pois em doses elevadas se torna abortiva.
Assa-peixe
Usada em banhos de limpeza e nos kibane mútue. Como diuréticos e eliminador de cálculos renais é usado como chá (3 colheres sopa de folhas bem picadas em 1 litro de água fervente – amornar, coar e usar). Para tosses, bronquites, colocar  1 colher de sopa de folhas picadas, numa chícara de água fervente, abafar por alguns minutos e coar. Tomar de 1 a 3 chícaras por dia, podendo usar mel para adoçar. Para dores musculares, reumatismos e afecções da pele, pilar 3 folhas frescas até que vire pasta, colocar em gase e aplicar no lugar 2 vezes ao dia, deixando por 2 horas.
Avelós, Figueira-do-diabo, Dedo-do-diabo, Pau pelado

Seu uso se restringe a purificação das ritari (pedra) do Nkisi, antes de serem levadas ao assentamento é usada socada. É aconselhada no tratamento de verruga, calo, câncer, sífilis, tumor canceroso e pré-canceroso, neoplasias neuralgia, cólica, asma e gastralgia.

Uso interno:

. 6 gotas de látex do aveloz em 2 litros de água. Tomar um copo 3 vezes ao dia;

. 1 gota de látex em 1 copo de água. Tomar 1 colher (sopa) a cada hora.

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