A União Planetária, no intuito de fundar uma representação africana, enviou-me para Angola, nome que deriva da palavra bantu N’gola, título dos governantes da região no século XVI. País da costa ocidental de África, limita-se a norte e a leste pela República Democrática do Congo, a leste pela Zâmbia, ao sul pela Namíbia e a oeste pelo Oceano Atlântico. Sua capital, Luanda, frente aos novos desafios, mostra hoje sua pujança.
Considerado o 5° maior produtor de diamantes do mundo, ainda podemos encontrar lá riquezas como petróleo e minério de ferro. Possui também jazidas de cobre, manganês, fosfato, sal, mica, chumbo, estanho, ouro, prata e platina.
Tem como língua oficial o português, imposta pelo colonizador, além de numerosas línguas originais, as que são de fato nacionais. O umbundo, falado na região centro-sul de Angola e em muitos meios urbanos, é língua materna de 26% dos angolanos. O quimbundo é a terceira língua nacional mais falada (20%), com incidência particular na zona centro-norte, no eixo Luanda-Malanje e no Quanza-Sul. Tem grande relevância, por ser a língua da capital e do antigo reino dos N’gola. Foi essa língua que deu muitos vocábulos à língua portuguesa e vice-versa. O quicongo é falado no norte, (Uíge e Zaire), e o chocué é a língua do leste por excelência.
Angola possui a maior fecundidade (número de filhos por mulher) do mundo, por isso conta com heroínas como a Mwêne Nzinga Mbande, a “rainha Zinga”. Soberana do Ndongo e da Matamba, essa ilustre senhora travou muitas batalhas contra o português. O povo angolano guarda no coração o poeta e também herói Agostinho Neto, idealizador de uma Angola própera, justa e livre do colono, não fosse a morte prematura.
Como representante da UP, e filha legítima de Angola, fui irrigar a terra para que a semente da solidariedade superior a ideologias, ideal UP, frutifique em breve. São frutos que poderão nutrir povos e pátrias num só ideal, alimentando mentes e almas dos que lutam a cada amanhecer para a reconstrução de um país que, mesmo com apenas quatro anos de Paz, já se mostra a mãe carinhosa no resgate de seus filhos espalhados por todos os cantos do mundo, e onde, mesmo que estranha para muitos, logo me sinto em casa.
Ngana Nzambi!!! Meu Deus! Presto aqui homenagem e gratidão a todos que me acolhereram. Na batalha da papelada necessária para nascermos, ganhei força e experiência no amor fraterno das cunhadas, irmãos, filhos e filhas que herdo, o amor dos candongueiros na indição da direção certa, dona Dete e sua família, irmã, mãe e amiga, Negro Nguxi, a luz verde no fim do túnel, o resgate e o calor telúrico ao colocar meus pés na minha província, 33 anos depois. Chegaram até a me dar como morta. E do nada ressurjo das cinzas assim como a Fénix. Avante, União Planetária. Avante, Angola! Estamos juntos na busca dos mesmos ideais nobres: Fraternidade, Igualdade, Amor e Paz.
(*) Marisol é Jornalista e pós-graduada em História Cultural: Identidade, tradições e fronteiras, na Faculdade de História da UnB.
