Meus amigos não encontraram nenhuma dificuldade em ordenar as proibições em cinco grandes divisões em que suas leis estão divididas. Eu estou lhes dando exatamente como me foram dados:
1. XINA XIVANGA NZAMBI – não contrariar Deus e as Leis naturais.
2. VA XIFUMBA de XINA – não contrariar os pais.
3. XINA NKAKA – não contrariar os vizinhos.
4. XINA NSOKI ou NSEXI – não cobiçar o alheio.
5. XINA MVILA – não praticar união ilegal entre homem e mulher.
1. XINA XIVANGA NZAMBI
Os KONGOZOVO armados com uma cauda do boi (Mawso), punem quem ofendem a Deus e aos deuses.
• O Badungu fechou a cara e esticou o beiço como o focinho dos peixes da serra (bafu), pronto para punir o seu rei Mbambingombi, que cometeu duas faltas graves: abuso de autoridade e falsidade com o povo. Tanto o rei como todos aqueles que o apoiavam foram punidos. O rei obrigou o Nganga a mentir e dizer que tinha visto a face de outro príncipe e não a de Ntawtela, no KUSALA Fumu, o espelho mágico. Somente é permitido ao Nganga Nyambi ver o retrato do verdadeiro príncipe, e ele mentiu fazendo com que outro fosse eleito no lugar de Ntawtela. Os dois foram punidos.
• O Nkaka ou o executor está sempre pronto para punir aqueles que com sua loucura perturbam o silêncio (MPILI) ordenado pelo rei gritando seu nome ou o nome de Deus-Xibika Bakolu.
As três situações acima demonstram o que eles entendem como desobediência à proibição. No caso ofenderam não somente a Deus mas também a Xifumba ou à classe dos que não se separam de Deus, os filhos de Deus.
2. VA XIFUMBA de XINA
• O Susu (pai) lembra ao príncipe(filho) que no quarto dia (Sona) ele deve descansar (Ku Kala vaci) e as pessoas do país (Beci) sabem que devem respeitar a autoridade dos pais e que a desobediência ao Nsexi os tornará corruptos.
3. XINA NKAKA
• As conchas (Makunkula) lembra o povo da morte de seu rei e como sem a sua orientação e parcimônia foram convencidos pelo vice para atacar seus vizinhos pacíficos transformando-os em assassinos e as vitimas apavoradas medo lhes compararam com o tubarão Nquimbi.
• Falar mal das mulheres casadas é agir como Nguali a perdiz mensageira, se o desejo a conduziu para o adultério a conduzirá para a morte como morrem aqueles que bebem Nvuli, a água suja dos animais, se ela lhe der vasão. Você pode adverti-la duramente antes, enquanto pode dever abrir sua mente (Maili) com a verdade, depois é melhor não dizer nada do que dizer palavra falsa como a tartaruga (Nkufu). Não deixe a serpente Mboma usurpar o lugar de sua consciência e instigá-lo a agir como o porco ladrão(Ngulubu), que rouba o mandioca.
4. XINA NSOKI
• Lembre-se do tamanho da baleia (tele) e do tamanho pequeno dos peixes que ela engole e não seja um glutão como o Nvubu que come tudo e não se transforme num escravo (Nkombo) que aposta na cabra dos outros, mas deixe sua esposa ser tudo para você (Xingolo Xinyundu).
5. XINA MVILA
• Mantenha um olhar sempre alerta (como o Sungu) a fim de que você não caia no pecado, e mantenha-se dentro do cercado da lei (Nkabi) e de seu livre arbítrio. Seja amante zeloso como o elefante (Nzau) e terá tudo em abundância, mas cuidado quando for escolher sua esposa ou companheira, para não casar com Xina (mulher da vida) (Nziku Nkondo).
Seja nobre, sirva e respeite o seu deus e àqueles que são postos na autoridade sobre você, e não se permita viver sob a dominação do medo (Nduma para Mboma).
Este é o total da soma de seus deveres para com Deus e o seus semelhantes.
Este XINA XIVANGA ZAMBI é conectado com a categoria de água, com a imoralidade e o abuso do discurso. O fumba do VA XI de XINA é conectado com a categoria de terra com a corrupção (poeira de SEXI), que é olhado sempre como o oposto de firmeza, solidez.
XINA NKAKA é conectado com a união e o desejo, com o medo causado por seus opostos, adultério e abuso do desejo; e com movimento e procriação, com o medo da punição que faz com que se sofra por antecipação.
XINA SOXI é conectado com a categoria de abundância com o abuso do apetite e da luxúria.
XINA MVILA é conectado com a vida e o nascimento, através do produto da união legal.
Fonte: Texto original de R. E. Dennett, 1906
